.: ASPECTOS GERAIS
1 HISTÓRIA
A origem do município de Bragança está
relacionada com a história da conquista da Amazônia,
durante o Período Colonial. Os primeiros civilizados que
exploraram as terras do atual município bragantino, situadas
na margem esquerda do rio Caeté, no local onde havia uma
aldeia que era habitada pelos índios da tribo dos Tupinambás,
teriam sido os franceses de La Ravardiere, que, por volta de 1613,
após a conquista do Maranhão e com o intuito de aumentar
seus domínios na região, mandava seus homens adentrarem
o território amazônico.
Sabe-se que Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia,
logo após a fundação da cidade de Belém,
em 1616, passou pelo território bragantino em direção
ao Maranhão, para levar a Jerônimo de Albuquerque a
notícia enviada por Francisco Caldeira Castelo Branco, do
êxito de sua missão.
No dia 9 de fevereiro de 1622, o rei da Espanha,
Felipe II, doou a Gaspar de Souza, o Governador Geral do Brasil,
a Capitania do Gurupi, que compreendia todo o território
entre os rios Turiaçu e Caeté, com 20 léguas
de fundo para o sertão. Em 1633 o governador do Maranhão
e do Pará Francisco Coelho de Carvalho deu a seu filho, Feliciano,
a mesma Capitania. Mas o descendente de Gaspar de Souza, Álvaro
de Souza, protestou junto à Corte da Espanha, que desaprovou
esta última doação, confirmando a de 11 anos
antes, feita por Felipe II. Dessa forma Francisco Coelho de Carvalho
doou depois ao mesmo filho a Capitania de Camutá, origem
do atual município de Cametá.
Álvaro de Souza, filho de Gaspar de Souza,
fundou em 1634, o povoado Sousa de Caeté, à margem
direita do rio Caeté, posteriormente transferido para a margem
esquerda, onde, atualmente, se situa a sede municipal de Bragança.
Em 1753, o povoado de Sousa de Caeté foi erigido
em Freguesia, com o nome de Nossa Senhora do Rosário. Mas
coube ao governador e capitão-general do Grão-Pará
Francisco Xavier de Mendonça Furtado, dar-lhe os foros de
Vila, instalando o Município com o topônimo português
de Bragança.
Em 1760, foi instalada a primeira Câmara Municipal
de Bragança, presidida por José Quitério da
Costa. A adesão do Município de Bragança à
Independência do Brasil ocorreu logo depois da adesão
de Belém, em 1823, por interferência de Domingos José
de Souza que, na época exercia o cargo de juiz ordinário.
No dia 26 de agosto de 1824, rebentou na localidade
de Turiaçu, uma revolta, com grande repercussão em
Bragança. O presidente da então Província do
Pará, o coronel José de Araújo Rozo, tomou
medidas militares para coibir os revoltosos, fazendo seguir pelo
rio Guamá, no dia 16 de setembro, uma força existente
em Ourém e, a partir de lá, seguirem juntos para Bragança,
onde ficariam sob as ordens de seu comandante militar. Acontece
que os revoltosos já tinham ido além, promovendo sangrentos
episódios. Quando essas notícias chegaram ao conhecimento
do presidente da Província, este nomeou o novo comandante
militar de Bragança o major Luis Ferreira da Cunha, que,
à frente da nova força armada, seguiu para a região
conturbada a 1º de outubro. Porém, quando a expedição
chegou a Ourém, o major Luis Ferreira Cunha foi cientificado
de que os amotinados fugiram, ao saberem da grande força
que iria combatê-los. Quando a tropa chegou a Bragança
não mais encontrou nenhum dos chefes da revolta, que se tinham
embrenhado nas matas.
No dia 1º de outubro de 1828 foi assinada a
Lei que dava organização aos municípios do
Império do Brasil, oportunidade esta em que foi eleita a
nova Câmara Municipal de Bragança, dentro das normas
estabelecidas, tendo com presidente Leandro Caetano Pinheiro.
A adesão da Câmara Municipal de Bragança
à República ocorreu na sessão de 18 de novembro
de 1828, tendo assinado como presidente da Câmara Francisco
Antonio Pinheiro Júnior.
Dentro da nova organização republicana,
o Governo Provisório do Pará extinguiu as Câmaras
Municipais, substituindo-as por Conselhos de Intendência Municipal.
O 1º Conselho nomeado foi presidido por Aureliano Marinho.
O Governo Provincial estabeleceu a divisão
judiciária do Estado em maio de 1833, através da qual
Bragança passou a constituir um Termo de Comarca da capital
estadual, cuja vigência estendeu-se até 1839, quando
a Lei nº. 17, de 9 de setembro do mesmo ano, a elevou-a à
categoria de Comarca.
A Lei Provincial nº 252, de 2 de outubro de
1854, criou a cidade de Bragança, como sede do respectivo
Município. Coube a José Caetano Pinheiro desempenhar
as funções de Intendente, para as quais foi eleito
durante o primeiro triênio republicano de 1891 a 1893.
Em 1856 o território de Bragança foi
desmembrado quando a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição
de Viseu passou à categoria de Vila e, concomitantemente,
a Município, com o topônimo de Viseu, através
da Lei nº 324, de 6 de julho.
A 24 de junho de 1883 teve iniciada a construção
da Estrada de Ferro de Bragança, o Visconde de Maracaju presidia
a Província do Pará. O intuito era fazer-se de Bragança
um grande celeiro para Belém, e de Salinas uma cidade balneária.
O ano de 1908, depois de quase 25 anos do inicio da sua construção,
é o marco da inauguração da parada de Tracuateua
e a 3 de maio do mesmo ano, finalmente foi solenemente inaugurada
a Estrada de Ferro de Bragança. Governava o município
de Bragança o Intendente major Simplício Fernandes
Medeiros.
A Estrada de Ferro de Bragança teve vital
importância no progresso do município de Bragança
e de toda a Zona Bragantina. Graças a ela e à colonização
de suas margens o Pará sofreu menos com o declínio
da borracha. O fato de Bragança, ser ponto final da Estrada
de Ferro constituía importante papel na economia estadual,
porque, além de tudo, era o ponto intermediário com
o Maranhão.
Em 1955, no governo de Castelo Branco, tendo como
Ministro da Aviação o Marechal Juarez Távora,
a extinguiu, sob a alegação de déficit. E o
capítulo da Estrada de Ferro de Bragança ficou para
o passado.
No dia 3 de abril de 1900, através da Lei
nº 729, o município de Quatipuru foi extinto, anexando
o seu território ao de Bragança, que teve assim o
seu patrimônio ampliado. Dois anos depois o município
de Quatipuru foi restaurado, segundo a Lei nº 823, de 24 de
outubro, desmembrado assim do município de Bragança.
Em 1955, Bragança perdeu o distrito de Urumajó,
transformado em Município. Mas o Supremo Tribunal Federal,
no dia 4 de outubro, considerou inconstitucional o desmembramento.
Porém em 1961 esse desmembramento ocorreu, com a criação
do município de Augusto Correa, originalmente denominado
Urumajó, segundo a Lei nº 2.460, de 29 de dezembro do
mesmo ano.
Em 1991, pela Lei nº 5.688, de 13 de dezembro,
o município de Bragança teve parte de seu território
desmembrado para a criação do município de
Santa Luzia do Pará. Em 1994, no dia 29 de setembro, teve
novo desmembramento de suas terras, para criar o município
de Tracuateua.
Atualmente o município de Bragança
é integrado pelos distritos de Bragança (sede), Almoço,
Caratateua, Nova Mocajuba, Piabas e Tijoca.
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2 CULTURA
Os Bragantinos são, essencialmente, por tradição,
um povo católico e que comemora suas festas religiosas, imbuídos
de maior respeito e fé.
Dentre as festividades religiosas mais expressivas
do Município, pode-se destacar a festa de São Sebastião,
comemorada no dia 20 de janeiro. De caráter apenas religioso,
a festividade segue o seguinte ritual: nos dias 18, 19 e 20, há
o “Tríduo” (ladainha com três dias de duração)
e, no dia 20, acontece a procissão que sai da Igreja Matriz,
percorrendo as principais ruas da cidade e retornando ao mesmo lugar.
Em março ou abril, por ocasião da Semana
Santa, acontece a procissão do Corpo de Cristo. Já
no segundo domingo de novembro, é realizado o Círio
de Nossa Senhora de Nazaré, cuja festividade dura oito dias,
tanto na parte religiosa (ladainha, procissão, etc.), quanto
na profana (arraial, leilões, etc.).
Entretanto, a maior manifestação religiosa
de Bragança é a festa de São Benedito, uma
das maiores e mais antigas do Município. A data do início
do culto é o ano de 1798, quando foi fundada a irmandade
que, desde então, tem mantido a festividade com o mesmo brilho
e fervor religioso. As comemorações têm início
no dia 18 de dezembro, com Alvorada Festiva, às 6 horas,
com a participação de banda de música. Segue
o novenário, com encerramento somente no dia 26. Durante
a festa de São Benedito, acontece a Marujada, que é
a maior manifestação de cunho cultural, do Município.
Conhecida em todo o Brasil, a dança é um auto dramatizado
da tragédia da Nau Catarineta, constituída quase que
exclusivamente por mulheres. A Marujada, em Bragança, é
caracterizada pela dança, cujo motivo musical é o
Retumbão.
O ponto alto da festa é a escolha das “marujas”
e “marujos”: para exercerem as funções
no ano seguinte. Com papel marcante em toda a festa, a Marujada
realiza desfiles pela cidade e se reúne em um banquete tradicional
no último dia. Além da entrega, pelos juízes
da festa, da vara simbólica aos que serão “marujos”
e “marujas” no próximo ano, é nessa hora
que se faz o “Responsus do Divino”, onde um puxador
de “Responsus” lidera a cerimônia e um grupo entoa
um canto triste, ao som de atabaques e violinos, após o que
se inicia o almoço. À tarde, acontece a procissão
aberta com duas alas de “marujos” e “marujas”,
à noite, a marujada vem fazer o agradecimento à porta
da igreja. Só à meia-noite encerram-se os festejos
com fogos de artifícios.
Os Bois-Bumbás e os Cordões de Pássaros,
outros dois exemplos da cultura popular de Bragança, embora
tradicionais na região, surgem e desaparecem, sem marcar
identidade. Eles são organizados por ocasião dos festejos
juninos e/ou por ocasião do concurso oficial promovido pela
Prefeitura Municipal.
Embora sem incentivos, Bragança possui uma
grande variedade de produtos que são confeccionados pelos
artesãos locais. São objetos de cerâmica, tijolos,
telhas, vasos, vassouras, bolsas, estátuas, peças
de crochê e tricô, móveis, cestas, gaiolas, abajures
e arranjos diversos, constituindo-se em peças que possuem
tanto valor artístico quanto utilitário. Além
disso, há fabricação de embarcações
e vários outros apetrechos de pesca, como currais, espinhéis,
tarrafas, etc.
O município de Bragança orgulha-se
de seus monumentos históricos e culturais, como a Igreja
de São Benedito. Tanto a construção da igreja
como a confecção da imagem do Santo, datam do século
XVIII. Dignos de registro são também a igreja Matriz
de Nossa Senhora do Rosário, a mais antiga da cidade com
data, também, do século XVIII; o Instituto de Santa
Terezinha, tradicional educandário do Município; e,
o Forte de Caeté, fora da sede, numa ilha em frente ao litoral
de Bragança, construído pelos portugueses, em 1614.
Os equipamentos culturais de maior destaque no município
de Bragança são a Casa da Cultura e a Biblioteca.
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3 LOCALIZAÇÃO
O município de Bragança pertence à
messoregião Nordeste Paraense e à microrregião
Bragantina.
A sede municipal tem as seguintes coordenadas geográficas:
01º 03’15” de latitude Sul e 46º 46’
10” de longitude a Oeste de Greenwich.
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4 LIMITES
Ao Norte - Oceano Atlântico
Ao Sul - Municípios de Santa Luzia do Pará e Viseu
A Leste - Municípios de Augusto Corrêa e Viseu
A Oeste - Município de Tracuateua
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5 SOLOS
No Município, estão presentes os solos
de Terra Firme, representados pelos seguintes tipos: Podzólico
Vermelho-Amarelo, Concrecionário, Laterítico, Plintossolo
e Latossolo Amarelo cascalhento. Os solos localizados às
proximidades do litoral são os solos indiscriminados de Mangue.
Nas Várzeas, estão presentes os solos Hidromórficos
indiscriminados e Aluviais.
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6 VEGETAÇÃO
A cobertura vegetal original da Terra Firme, composta
pelo subtipo Floresta Densa dos baixos platôs, foi substituída
pela ação dos desmatamentos, pela Floresta Secundária,
atingindo esta vários estágios de regeneração.
Nas planícies aluviais, principalmente ao longo das margens
do alto e médio curso do rio Caeté, ocorrem Florestas
de Várzeas que, em parte, foram também desmatadas
para o cultivo do arroz. No litoral e no baixo curso dos rios, dominam
os Manguezais, secundados pela Restinga e pelos Campos Naturais.
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7 PATRIMÔNIO NATURAL
A alteração da cobertura vegetal, observada
nas imagens LANDSAT-TM, do ano de 1986, estava em 74,53%, o que
condicionando o patrimônio natural do Município ao
rio Caeté, com mais ou menos, 60 Km navegáveis, onde
aparecem belas praias oceânicas, como a de Ajuruteua, e o
Manguezal da orla flúvio-marinha.
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8 TOPOGRAFIA
A topografia é bastante modesta, não
havendo valores altimétricos expressivos. No Município,
as cotas mais elevadas no Município giram em torno de 30
metros, posicionadas na sua porção meridional, até
atingir o nível do mar, na região litorânea.
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9 GEOLOGIA E RELEVO
O município de Bragança difere um pouco
da simplicidade geológica dos Municípios de sua microrregião,
por apresentar, além dos sedimentos Terciários (Formação
Barreiras) e Quaternários Atuais e Subatuais, rochas graníticas
de idade Pré-Cambriana, largamente utilizadas como matéria-prima
para a construção civil, Destacam-se, ainda, exposições
de rochas da seqüência carbonática, de idade Cretáceo/Terciário
(Formação Pirabas), utilizadas largamente na fabricação
de cimento, assim como rochas da Formação Gurupi,
constituídas por metassedimentos e metavulcânicas,
cortadas por meio de quartzo, alguns deles auríferos. A morfologia
geral corresponde à unidade morfoestrutural do Planalto Rebaixado
da Amazônia (da Zona Bragantina), constituído pelas
áreas tabulares (Formação Barreiras), áreas
levemente colinosas (cristalino) e área de planícies
fluviomarinha, onde se destacam as ilhas de praias e manguezais.
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10 HIDROGRAFIA
O principal destaque da hidrografia de Bragança
é o rio Caeté, que nasce no município de Bonito,
a Sudoeste, e percorre a extensão de 60 km (da nascente à
foz), apresentando trechos ora estreitos, ora largos (principalmente
próximo a sua foz), onde recebe influência das marés.
Parte do seu curso é sinuoso, apresentando considerável
trecho de Várzea. Os afluentes que recebe pela margem direita
são os mais importantes, como o Jenipaú-Açu
e o Água Preta, enquanto que, pela margem esquerda, recebe
o rio Cipó-Apara e os igarapés Anauera e do Meio.
Nessa margem, situa-se a cidade de Bragança, a cerca de 25
km da foz. O rio Arapucu, afluente da margem direita do rio Caeté,
serve de limite a Nordeste com o município de Augusto Corrêa.
O rio Tracuateua, com seu afluente da margem esquerda, igarapé
Açaiteua, limita Bragança a Oeste, com os municípios
de Primavera e Capanema.
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11 CLIMA
O clima do município de Bragança, conforme
dados obtidos pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, localmente,
na Estação Meteorológica de Tracuateua é
similar ao da média da região Bragantina: equatorial
superúmido, com temperatura máxima de 33 ºC e
mínima de 18 ºC, apresentando média de 27 ºC
e elevada pluviosidade de 2.501 mm/ano, com período chuvoso
nos primeiros seis meses do ano.
Fonte: SEPOF/DIEPI/GEDE - Governo do Estado do Pará |
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